terça-feira, 17 de abril de 2012

Pais contra o aumento do número de alunos por turma

Quer a Confap quer a CNIPE revelam-se contra a decisão do Governo de aumentar de 28 para 30 o número de alunos por turma.

A Confederação Nacional de Associações de Pais (Confap) desaprovou no domingo, em Vila Real, a medida do Governo de aumentar o número de alunos por turma entre o 5.º e o 12.º anos, dos actuais 28 para 30 estudantes. Também a Confederação Nacional Independente de Pais e Encarregados de Educação (CNIPE) lamenta a decisão governamental.

Reunida em assembleia-geral, a Confap aprovou um documento que será remetido ao Presidente da República, ao primeiro-ministro e ministros da Educação e da Solidariedade e Segurança Social. Segundo o presidente da confederação, Albino Almeira, os pais desaprovam a medida e lamentou a forma como a alteração foi anunciada, sem as associações de pais terem sido ouvidas ou envolvidas no processo. Referiu ainda não entender esta imposição às escolas, numa altura em que se fala precisamente de lhes dar mais autonomia.

Por princípio, a Confap “não associa o número de alunos por turma ao sucesso escolar”, mas considera que a “organização das turmas nas escolas é o segredo de encontrar vias de qualificação do ensino e da aprendizagem”. “Dificilmente os portugueses entenderão que nas cidades em que temos muitos jovens multiculturais, com dialectos e linguagens diferentes, seja possível garantir sucesso educativo com 30 alunos numa turma”, salientou.

A confederação reagiu com preocupação ao facto de nada se ter dito sobre as turmas com alunos com necessidades educativas especiais e que, segundo Albino Almeida, no passado, “levavam à redução de dois alunos por turma e a um máximo de alunos por turma inferior ao valor até agora estabelecido”. Outra preocupação dos pais é a dificuldade de se “encontrar no interior do país 30 alunos para organizar a oferta do ensino recorrente”. “Na prática isto é impedir muitos alunos de estudar à noite”, frisou Albino Almeida.

“Esta forma de conceber a constituição de turmas confirma que os responsáveis pelo Ministério da Educação se debruçam exclusivamente sobre os números e as estatísticas, esquecendo que a escola é feita de pessoas”, refere a CNIPE, em comunicado. Quanto mais crianças e jovens forem agrupados numa sala de aula, maiores serão os estímulos à distracção e à desconcentração e menores as possibilidades de haver um ensino mais individualizado.

O sucesso escolar sustentado é extremamente difícil de conseguir em turmas com mais de 18 alunos, sustenta a CNIPE, defendendo que aumentar o número de alunos por turma é hipotecar o futuro dos educandos e reduzir as possibilidades da escola pública poder contribuir para um salto qualitativo da sociedade.

Escolher a escola

Outra alteração anunciada pelo Governo é a possibilidade dos pais escolherem a escola que os filhos vão frequentar no ensino pré-escolar e no básico (até ao 9.º ano). Contudo, o diploma salvaguarda que, caso o estabelecimento escolhido não seja na área de residência, as despesas que essa opção possa significar ficam por conta do encarregado de educação ou do aluno, desde que a escola da zona onde reside tenha o percurso formativo desejado.

A Confap “lamenta que a liberdade de escolha da escola dependa da capacidade dos pais para pagarem o transporte”.

Fonte: Público

terça-feira, 20 de março de 2012

Para refletir...

É frequente ainda que as pessoas com deficiências múltiplas ou défice intelectual acentuados sejam ensinadas através da sequência de habilidades em função do desenvolvimento.
Isto resulta em situações em que as pessoas têm que aprender em qualquer idade as habilidades correspondentes ao nível de desenvolvimento que apresentam. Muitas vezes os alunos passam muito tempo na escola aprendendo habilidades artificiais ou inadequadas para a idade.
Se considerarmos o tempo que os alunos com deficiências múltiplas ou défice intelectual acentuados demoram a adquirir e manter qualquer habilidade, não há justificação para que se passe muito tempo a ensinar itens que decorrem de uma hierarquia de desenvolvimento, e que são na maioria pré-requisitos para outras habilidades.
Imaginem o que pode acontecer:

O MEU IRMÃO
O meu irmão tem 18 anos e um QI de 30-40. Está na escola há 12 anos. Teve ensino individualizado durante vários anos e aprendeu imensas coisas!
O meu irmão coloca 100 pregos num quadro de furos em menos de 10 minutos com 95% de êxito. Mas não consegue por moedas numa máquina de refrigerantes.
Se lhe pedirem, consegue apontar o nariz, braço, ombro, pé, perna, cabelo e orelha. Ainda não sabe bem o pulso, tornozelo e quadril. Mas não assoa o nariz sozinho.
Consegue fazer um quebra-cabeça de animais com 100% de êxito e colorir um boneco dentro das linhas.
Gosta muito de música. No entanto nunca ninguém lhe ensinou a ligar um rádio.
Consegue dobrar folhas de papel ao meio e mesmo em quartos. Mas não consegue dobrar as suas roupas.
Consegue separar blocos por cor, mesmo que tenham 10 cores diferentes! Mas não consegue separar as roupas, por as de cor e as brancas separadas para lavar.
Consegue fazer lindas cobras com pasta de moldar. Mas não consegue amassar a massa do pão nem cortar biscoitos.
Consegue enfiar contas num fio, com cores alternadas seguindo um padrão. Mas não consegue apertar os cordões dos sapatos.
Consegue dizer os nomes de todas as letras que lhe apresentem num cartão com 80% de êxito.Mas não consegue diferenciar os símbolos da casa de banho para homem e mulher quando vai ao McDonald's.
É possível dizer-lhe que está a chover e ele coloca uma nuvem de feltro num quadro do tempo, no dia certo (com ajuda). Mas ainda não sabe que deve levar guarda-chuva para a rua quando está a chover.
Aponta para 100 imagens diferentes num teste de vocabulário com 100% de êxito. Mas não consegue pedir um hambúrguer apontando para uma imagem.
Consegue andar numa trave para frente e para trás. Mas não sobe as escadas sem ajuda para se sentar no lugar quando vai a um jogo de basquete.
Consegue contar até 100 de cor. Mas não sabe quanto deve pagar por um McDonald's especial. Consegue por um cubo em cima, ao lado e debaixo de uma caixa. Mas não consegue encontrar o caixote do lixo e por lá dentro os restos da refeição no McDonald's.
Senta-se em círculo, com comportamento adequado, e conta a música do “Bob o Construtor”. Mas não tem amigos da sua idade que gostem de fazer isso.

Adaptado: Functional Skills Support Materials
Guide – Developed by the Functional Skills Action

Tampinhas para o Rodrigo



"Olá amigos! Preciso de tampinhas." O pedido é feito pelo Rodrigo, o menino de três anos, de Fão, Esposende, que nasceu sem a mão direita, e que protagonizou anteontem um vídeo na sua página do Facebook.
O objectivo do vídeo foi lançar a campanha de recolha de tampinhas para que o menino possa trocar de mão mioeléctrica este ano. "A mão que ele tem foi colocada há um ano. Como a prótese serviria durante um ano e meio, pois tem de acompanhar o crescimento da criança, já só faltam seis meses", explicou Sandra Hipólito, mãe de Rodrigo.
Para esta campanha são precisas 12 toneladas de tampinhas, equivalentes a 5 mil euros. "É menos dinheiro do que uma prótese nova porque dá para aproveitar a parte eléctrica. As tampinhas estão a ser entregues a uma empresa de reciclagem que paga o preço justo", garantiu Sandra. A ajuda para o Rodrigo pode também ser feita pelo telefone 253 982 356.


In: CM online